Uma vida pela educação trasnformadora!

Quem sou...

Meu nome é Flávia Rita Coutinho Sarmento, filha de uma costureira e de um pai alcoolista. Sou professora de língua portuguesa, graduada pela UFMG em letras e proprietária do Centro Educacional Flávia Rita. Nascida na Pedreira Prado Lopes e criada em Venda Nova, regiões carentes na capital mineira. Mantenho o grupo Voluntários do bem, criado há mais de 15 anos e que já contribuiu para a transformação social de milhares de pessoas.

“Sempre amei as letras, as palavras, as frases, os textos, os livros. Encontrei neles a forma de fugir da realidade, de construir outra realidade e de mudar a realidade de muitas pessoas.”

Aprovada na UFMG.

Com 17 anos, aluna de escola pública e sem muitos recursos, sonhava em ser “alguém”. Passei no vestibular para o curso de Ciências Econômicas na UFMG e, contrariando as previsões otimistas da profissão de Economista, nunca fui bem-sucedida na área nem feliz naquele lugar. Eu trabalhava à tarde e à noite e estudava pela manhã. Eu não tinha dinheiro para o lanche, para roupas, para nada; ajudava em casa, era esforçada, mas parecia tudo tão longe de mim.

Minha 1ª filha.

Aos 18, engravidei. Sim, eu tinha informação. Não, eu não planejei ficar grávida tão jovem. Continuei no curso de Economia efetuando todas as economias possíveis para criar a menina dos meus olhos: “Júlia”. Uma casa de 45m² financiada pela Caixa num programa estilo “Minha Casa Minha Vida” era o que eu podia ter e me fazia muito feliz! Curso avançando, parto inevitável, vida seguindo como a de todo mundo. Então, comecei a dar aulas de matemática em escolas públicas e particulares com o antigo CAT (autorização para lecionar concedida pelo MEC a graduandos de áreas específicas)

Da matemática ao português.

Aos 21, um novo vestibular e uma busca: a realização.

Na lista dos aprovados da UFMG de 2001, a esperança. Entre os classificados para a graduação em Letras, lá estava a filha da costureira tentando remendar sua história. Da matemática para o português, a transição foi suave. Nas palavras, encontrei apoio e consolo. 

Abandonar o sonho, jamais!

Estudava pela manhã, dava aula à tarde e à noite, minha mãe olhava minha filha e, finalmente, adorava o meu trabalho e a minha graduação. Aos 23, conheci meu segundo marido que me presenteou com meu 2º filho: Víctor. Minha mãe faleceu de câncer, meu pai faleceu de câncer. Meus filhos foram a um só tempo meu porto seguro e meu conforto. Enfim, adulta. A realidade é assim! Em 2004, a formatura, novos empregos e uma descoberta: é muito bom ajudar os outros.

Oportunidades...

Resolvi participar de grupos de voluntários como forma de compensar o universo pelas oportunidades. Meus pais, em especial minha mãe, serão sempre uma lacuna sem solução. Crianças, enfermos, idosos eram agora uma outra família que adotei para me conhecer melhor e para compreender que existe “sofrimento” além de mim.

Das escolas, para os cursos de CEFET/COLTEC, dos cursos para os pré-vestibulares, dos pré-vestibulares para o Concurso Público.

Perdi um rim ruim!

Alguns concursos de literatura me ajudaram a melhorar de vida. Prêmios por crônicas, poesias e até por contos eróticos (por que não? Até Machado de Assis se aventurou na literatura erótica!). Mais um casamento. Mais uma experiência gratificante e outro filho: Tatá

Com 33 anos, um filho de apenas um ano e outros dois mais crescidos, eu merecia estar saudável. Mas eu não estava! E, no dia 20 de dezembro de 2013, abri mão do rim ruim.

Felicidade não tem preço.

Mais de oito horas de cirurgia. Na minha cabeça, ressoavam as velhas palavras que embalaram meus sonhos: “seja gentil e corajosa”.

Àquela altura, já morava em um apartamento quatro vezes maior que a minha primeira residência, tinha três filhos, três ex-maridos, com os quais sempre pude contar, alguns livros publicados e um rim ruim

A filha da Costureira, agora dona do Centro Educacional.

Texto resumo

Meu projeto social: Voluntários do bem.

Texto resumo